Barry, o inicio de uma lenda

janeiro 17, 2017


Em 2009, todos nós vibramos com a eleição de Barack Obama, como Presidente dos EUA. Sendo afro-americano, a vitória significou uma conquista para a comunidade negra, depois do sofrimento e humilhação durante séculos, numa América profundamente racista e xenófoba. Infelizmente, não por culpa de Obama, a mentalidade americana não mudou nas questões raciais (em certos casos, piorou), mas conquistou feitos impensáveis, como a aproximação a Cuba, o acordo de Paris (sobre as mudanças climáticas), a criação de um sistema de saúde mais justo ou a defesa das minorias, como a comunidade LGBT.  

Barry (trailer, aqui), relata o inicio da vida académica do então jovem Obama, em 1981 na Columbia University em New York. Depois de uma passagem no Occidental College, em Los Angeles, busca encontrar a sua identidade numa cidade desconhecida e totalmente diferente, gerando conflitos sociais, raciais e familiares, consigo mesmo.


Um dos pontos positivos do filme, é exibir um Barry (diminutivo de Barack)  comum a todos os jovens da geração de 80, um rapaz que gosta de basquetebol, dançar, sair com os amigos e fumar (cigarros ou "ganzas"). Outro é o actor Devon Terrell, um desconhecido, mas com muito potencial que soube agarrar o papel de protagonista, sendo aparentemente parecido a Obama, conseguiu uma actuação convincente.

Saliento também Anya Taylor-Joy (The Witch) como Charlotte, namorada de Barry. Os momentos do casal, focaram a questão racial exteriormente e interiormente na personagem principal, mostrando os olhares da própria comunidade negra para com um casal inter-racial. Mas o desconforto provêm do próprio Barry, que cede à pressão social, incomodado e por vezes paranóico com os olhares de desaprovação, desgastando a relação.

A questão racial é o mote do filme, logo nos primeiros minutos somos confrontados com uma atitude preconceitosa do porteiro da universidade, ao pedir o cartão a Barry, claramente por ser negro. O jovem carrega esse peso ao longo do filme, sentindo que não pertence a nenhuma comunidade, nem negra nem branca, personificado no livro que lê, Invisible Man de Ralph Ellison.

Mas o filme peca em muitos aspectos, o maior de todos é a escolha do período de tempo escolhido para representar um ícone do século XXI, nada acontece de importante na vida de Obama, a não ser entrar na faculdade. Uma narrativa lenta ao inicio e que explora muito pouco do lado sentimental do protagonista, por exemplo na relação com pai, resume-se a uma carta e a um telefonema noticiando a sua morte. O filme poderia explorar muito mais este homem, que Obama só conheceu uma vez, em toda a sua vida. A própria relação com mãe, tornou-se um pouco estranha e avulsa no filme.

Um filme dirigido por  Vikram Gandhi, com roteiro de Adam Mansbach e produzido pela Netflix. Contando com as participação de Jason Mitchell, Ellar Coltrane, Jenna Elfman ou Ashley Judd.

Avaliação IMDb: 5.9
Avaliação do blog: 5


Paulo Faria

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