El Ministerio del Tiempo, a patrulha da História

janeiro 19, 2017


Muitos são os filmes e séries que abordam, as viagens no tempo, como Back to the Future, The Terminator, Midnight in Paris, Doctor Who, Outlander ou Timeless. Eu adoro História e fascina-me a ideia de viajar no tempo, conhecer figuras históricas como Júlio César ou Maria Antonieta e presenciar grandes acontecimentos da História da Humanidade, como a partida das caravelas portuguesas em busca de novos mundos ou os festejos da vitória no final da Segunda Guerra Mundial em Londres. Seria irresistível viajar para determinadas épocas da História, da Idade Média (só com máscara, por causa do cheiro haha) ou o Antigo Egipto (com protector solar, claro).

A série da espanhola TVE, El Ministério del Tiempo, gira em torno de um ministério secreto que controla o tempo, evitando que alguém deturpe a História dos nossos hermanos espanhois, através das portas do tempo. Portas que dão acesso a diferentes épocas históricas, um dos segredos mais bem guardados de Espanha. O ministério recruta o Alonso de Entrerrios (soldado e herói do século XVI), a Amelia Folch (a primeira mulher universitária em Espanha, uma burguesa do século XIX) e o contemporâneo Julian Matinez (o enfermeiro paramédico, que perdeu a sua esposa num acidente de viação) para patrulharem o tempo.


Como são de séculos diferentes, a disparidade é nítida nas mentalidades do trio protagonista, mas é atenuada no companheirismo e na química dos três parceiros de aventuras. Em dados momentos o confronto é inevitável, como as reacções de espanto e de indignação de Alonso (Nancho Fresneda) ao receber ordens de Amelia (Aura Garrido), não é normal um homem rebaixar-se ao sexo feminino no século XVI, é engraçado os seus murmúrios de protesto. Ou a reacção de Amelia e Alonso (principalmente deste) ao século XXI, desde as novas tecnologias às relações humanas, um misto de choque, estupefacção e fascínio. O mais irónico e sarcástico é Julian (Rodolfo Sancho), as suas piadas roçam por vezes o humor negro na história.


Além do trio, a série tem como personagens fixos, o chefe do ministério Salvador Martí (Jaime Blanch), os agentes Ernesto Jiménez (Juan Gea) e Irene Larra (Caytana Guillén Cuervo), e a secretária Angustias (Francesca Piñón). São muitas as personagens históricas retratadas ao longo da narrativa, como Diego Velázquez, Salvador Dalí, Federico García Lorca, Gil Pérez, Enrique de las Morenas, Isabel de Portugal, Felipe II, Miguel de Cervantes, Napoleão Bonaparte, Isabel de Farnesio, María Cristina de Borbón, Heinrich Himmler, Pablo Picasso, Isabel II ou Adolf Hitler.


As minhas personagens preferidos, curiosamente são duas mulheres, a agente Irene e vilã Lola (Natalia Millán). Irene, além de ter o nome da minha mãe, é uma mulher enigmática, sedutora e fascinante que esconde alguns mistérios. A personagem aborda a homossexualidade na série, sendo salva de uma vida subjugada ao marido e de uma sociedade que não aceitaria a sua orientação sexual, em pleno anos 60, A Lola é uma vilã dúbia, e é isso que gosto nela, não aparece em todos os episódios e esconde algo, uma ex-funcionária do ministério que vende informações sobre as portas clandestinas do tempo. Mas em alguns momentos revela-se uma salvadora e heroína, expondo o seu lado bom.


A produção de Onza Partners e Cliffhanger consegue recriar o clima de cada época com fidelidade e convence nos cenários de cada século, com nota positiva para o guarda-roupa, mas peca imenso nos efeitos visuais, notando-se algum amadorismo nos fundos em chroma key ou nos cenários em 3D.

O argumento tem algumas falhas históricas ou cronológicas, mas tem uma narrativa consistente e empolgante, por vezes lenta, mas os momentos irónicos salvam algumas cenas do marasmo. Temos de nos envolver na história e deixar-nos embalar pelas aventuras da patrulha, deixando de lado aspectos técnicos ou gralhas, como haver rede de telemóvel numa Idade Média ou em pleno século XVI alguém ter um portátil (como carregam a bateria?!),


Em Janeiro, estreou a versão portuguesa da série na RTP 1, Ministério do Tempo, tem como protagonistas Mariana Monteiro, Sisley Dias e João Craveiro. Tenho acompanhado a nossa versão e até gosto, apresenta-nos a nossa História (uma das mais ricas da Europa) e ícones portugueses, como Camões, Afonso de Albuquerque ou Nuno Álvares Pereira. Cometendo os mesmos erros da versão original, mas em alguns aspectos, bem pior. Bem sei que os orçamentos portugueses, são bem reduzidos, mas são erros graves na minha opinião, como o reduzido número de cenas externas, temos tantos lugares e monumentos lindos, podiam aproveitar.  Mais mesmo assim um bem haja à RTP por apostar em séries nacionais, que apesar de alguns erros, tem boas interpretações (Mariana Monteiro, Sisley Dias, António Capelo, Carla Andrino e Andreia Diniz estão muito bem nos seus papeis) e um bom roteiro (bem adaptado à História de Portugal).


Avaliação IMDb: 8.2
Avaliação do blog: 7

Paulo Faria

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4 comentários

  1. Já somos dois! As séries de época são definitivamente a minha cena e as da RTP são excelentes. E estou a adorar o Ministério do Tempo, tal como adorei também Os Filhos do Rock.

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    1. Também gostei da série Os Filhos do Rock e a RTP tem apostado muito nas séries históricas. Em breve irá estrear mais 2 séries histórias, Vidago Palace (co-produção espanhola) e uma sobre a vida da Madre Paula de Odivelas.

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  2. Não sabia que havia a versão espanhola. Estreou há pouco tempo na RTP1 o Ministério do Tempo, mas ainda não vi nenhum episódio, apesar de adorar História e séries e filmes sobre essa temática.
    Tenho que experimentar :)

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    1. Gosto mais da versão original, mas recomendo na mesma a nossa versão :) Obrigado pela visita, Catarina :)

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