La La Land: Melodia do Amor

janeiro 27, 2017


Confesso que não sou fã de musicais ou de romances, mas depois da consagração nos Golden Globes e das óptimas críticas da imprensa especializada, dei uma oportunidade a La La Land: Melodia do Amor (trailer aqui).

A acção centra-se em Los Angeles (EUA), com a chegada do pianista Sebastian (Ryan Gosling) à cidade dos anjos, acabando por conhecer ao acaso Mia (Emma Stone), uma empregada de mesa que ambiciona uma carreira como actriz (um dos muitos clichés do filme). Apaixonam-se e vivem uma intensa paixão em paralelo com a ambição e sonhos de ambos.


As referências a grandes filmes da época de ouro de Hollywood são claras ao longo do filme. Casablanca (1942), Singin' in the Rain (1952), The Band Wagon (1953),  Rebel Without a Cause (1955), Funny Face (1957) ou o contemporâneo Punch-Drunk Love (2002) são alguns exemplos. Enaltecendo e homenageando os grandes musicais imortalizados por Fred AstaireGinger Rogers ou Cyd Charisse.

O figurino transporta-nos para os anos 40 e 50, com os vestidos rodados e coloridos da Mia ou o estilo dandy do Sebastian, com os seus sapatos oxford. Intensificando a glorificação da época áurea dos musicais, o espectador só apercebe-se da actualidade, através dos telemóveis ou computadores, presentes no filme.


O grande acerto do filme, é a química do casal protagonista. É indiscutível o quanto a Emma Stone (Birdman ou The Help) e o Ryan Gosling (Drive ou The Big Short), resultam em cena, algo provado em outros filmes, como Crazy, Stupid, Love ou em Gangster Squad.

Sente-se a cumplicidade de ambos em cena, duas interpretações convincentes e criveis, um bom trabalho de voz e corpo. São a alma do filme, o espectador é convidado a vivenciar o amor, acompanhando a trajectória da paixão dos dois, resultando num hino ao amor e em cenas icónicas para a história do cinema.



O espírito hollywoodiano é omnipresente em toda a trama, seja nos cartazes cinematográficos de grandes filmes americanos ou nas ruas dos grandes estúdios de cinema. Personificando o glamour e elegância, numa Los Angeles kitsch e snob.

Damien Chazelle (director e roteirista) ousou ao transformar um musical (género muito datado), em algo in, levando novos públicos ao género. Não é um musical ao estilo de Les Misérables (2012) em que quase 100% do filme é cantado, nem burlesco como o Chicago (2002), mas algo mais Moulin Rouge (2001). Os números musicais são um dos pontos positivos do filme, Stone e Gosling arrasaram tanto na dança como na voz, adorei a música "City of Stars" (nomeada ao Óscar de melhor canção original), bem como a introdução do jazz no filme, com a participação especial do cantor John Legend.


O filme abusa dos clichés, a própria história de amor do casal é simplesmente a mesma de várias comédias românticas e a luta pela conquista dos sonhos, soa a algo batido e démodé. Com tantos elogios da crítica, aspirava um roteiro mais arrebatador e conquistador, esperava sair do cinema com aquela sensação de que vi o melhor filme do ano.

Gostei (não nego) e recomendo, mas na minha opinião, não é o melhor filme do ano, mas merece todas as nomeações aos grandes prémios do cinema. Será sempre lembrado pela lufada de ar fresco no género musical e como transformou uma história banal num grande filme.

Avaliação IMDb: 8.7
Avaliação do blog: 7

Paulo Faria

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5 comentários

  1. Gostei bastante de ler a tua crítica porque, apesar de ainda não ter visto o filme, estou com imensa vontade de correr aos cinemas. Concordo contigo nos aspetos clichés mas, mesmo assim, acho que só conseguirei dar uma opinião mais concreta quando vir realmente o filme! :)

    With love, Miss Melfe

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    1. Sim, cada um tem a sua opinião e recomendo a todos verem o filme :) Obrigado pela visita, Dalila :)

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  2. Bem, toda a gente fala maravilhas sobre o filme e, talvez por isso, o deixe para o fim, para ver perto da grande noite dos Óscares!

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    1. Também deixo sempre os melhores para o fim :) Obrigado pela visita, Jéssica :)

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  3. Confesso que também não sou grande fã de musicais mas adorei este filme e recomendo vivamente! :)

    A Marca da Marta

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