Jackie, a desconstrução de um mito

fevereiro 17, 2017


A primeira-dama Jackie Kennedy, personificou-se num mito para os americanos, tornando-se num ícone de moda e beleza do século XX . Os kennedy inovaram apostando no lado pessoal, o dito mundo "cor-de-rosa", abrindo as portas da Casa Branca e vendendo a imagem de família feliz ao povo.

Jackie foi fundamental  na campanha presidencial de John F. Kennedy, assumindo o papel de esposa ideal, como primeira-dama assumiu um papel importante na restauração e preservação do espólio artístico e de móveis da Casa Blanca. Elogiada internacionalmente pela sua elegância e etiqueta, uma mulher fluente em línguas como o francês, o espanhol ou o italiano, e que muitas vezes ofuscou o marido nas visitas de estado.



O filme Jackie é dirigido pelo chileno Pablo Larraín (No ou Neruda), com roteiro de Noah Oppenheim e estrelado pela actriz israelita Natalie Portman (Black Swan ou Closer). Centra-se nos acontecimentos após o assassinato do presidente John F. Kennedy, a 22 de Novembro de 1963 em Dallas e numa entrevista dada por Jackie à revista Life, uma semana depois da tragédia.

Jackie Kennedy já foi encarnada inúmeras vezes, no cinema e na televisão, como na minissérie do canal Reelz, The Kennedys After Camelot, ainda por estrear e protagonizada pela Katie Holmes, que pela segunda vez interpreta-a. Mas ninguém desempenhou-a como a Natalie Portman, uma representação perfeita, fidedigna e autêntica, um trabalho de Actriz (sim com A maiúsculo), por momentos conseguimos ver a própria Jackie no filme, as semelhanças são imensas, não só visualmente, como na voz e nos gestos.


Muitos críticos acusam-lhe de caricatura-la e não reconhecem-lhe mérito na construção da personagem, são opiniões e respeito-as, mas quem conhece um pouco da vida da eterna primeira-dama e já viu alguns documentários, reconhece o talento de Portman. Em algumas cenas do filme, admito a tal "caricatura", mas o que muitos não perceberam, é que a própria Jackie era teatral nas suas aparições em público, isso é nítido na visita guiada à Casa Branca, transmitida em 1962 na CBS (retratada brilhantemente no filme). Jackie encarnava uma personagem, uma "bonequinha de luxo" com uma vida e um marido perfeito.

Um dos pontos positivos do filme é a desconstrução do mito, em torno de Jackie Kennedy, ali vemos uma mulher de carne e osso, o seu dualismo torna a trama mais interessante, deixando o espectador duvidoso, em relação às suas verdadeiras intenções. As cenas após o atentado, com uma Jackie ensanguentada, acentuam a fragilidade e impotência, mas contrastam com o modo calculista e objectivo com que organizou as cerimónias fúnebre.


cena do assassinato impressiona pelo realismo, a produção primou pelos efeitos especiais e não desiludiu, numa das cenas mais aguardadas da trama. É interessante a analogia feita em relação aos outros presidentes assassinados, mencionados em alguns pontos importantes da acção, focando-se em Abraham Lincoln.

O roteiro é arrastado e lento mas seguro, os diálogos entre a Jackie e o padre (John Hurt) são os melhores do filme, aí assistimos a um desnudamento e humanização da personagem, deixando de lado toda a sua pose e protocolo.


Realço pela positiva a introdução de imagens reais ao longo do filme, transmitindo veracidade à história. O guarda-roupa é notável, a semelhança dos vestidos usados em cena com os reais é impressionante e toda a produção de arte é excepcional, os detalhes do cenário da Casa Branca são excelentes, uma reprodução perfeita.

Apesar do filme abordar apenas uma breve passagem da vida da lenda, Jacqueline Kennedy, é inegável a importância desta mulher para os EUA e para o mundo, apesar de alguns momentos conturbados (como o casamento com o Onassis), até hoje continua a ser uma fonte de inspiração.




Viram o filme? Gostam da actuação da Natalie Portman?  

Avaliação IMDb: 7.1
Avaliação do Blog: 7

Paulo Faria

You Might Also Like

0 comentários