Versailles | Sexo, Luxo e Intrigas

fevereiro 12, 2017


Versailles converteu-se no símbolo do Absolutismo francês do século XVII, espelhando todo o luxoimponência e pompa da corte de Luís XIV. Inicialmente uma aldeia senhorial, com a mudança da corte e do governo em 1678, o então Château Real (um palácio de caça mandado construir por Luís XIII) transformou-se no majestoso Palácio de Versalhes. Com um ego tão grande ou maior que o palácio, Luís XIV queria controlar a nobreza e subjugá-la a si, obrigado-os a prestarem-lhe vassalagem, manipulando-os e mantendo-os entretidos entre futilidades, luxos e faits divers.

A série francesa Versailles (trailer, aqui) é uma co-produção entre a França e o Canadá, para o Canal + (Borgia ou Les Revenants) e conta 10 episódios na primeira temporada, com a segunda temporada em pré-produção. Protagonizada pelo actor inglês George Blagden (Vikings ou Les Misérables), que interpreta o egocêntrico Luís XIV, rei da França e Navarra, um homem poderoso, arrogante, vaidoso, fútil, libidinoso inteligente que idealizou um palácio à sua imagem e centralizou os poderes num só, aniquilando de vez o feudalismo


Uma das tramas mais interessantes da série é a ligação ambígua que Luís XIV mantêm com o irmão, Filipe de França, o primeiro Duque de Orleães, um homossexual excêntrico e insólito para a época, uma grande interpretação do inglês, Alexander Vlahos (Merlin). Educado para não fazer sombra ao príncipe herdeiro, vestindo deste criança roupas de meninas (comum na época na nobreza europeia), tornou-se um adulto extravagante e mimado que inveja o poder do irmão. Apesar da sua ambição e ganância, mantêm-se fiel ao rei, obedecendo-lhe e submetendo-se aos caprichos do irmão.

Filipe, é conhecido na corte pelas suas excentricidades e pelos seus casos amorosos, um dos seus amantes é retratado na série, na personagem do actor Evan Williams (Awkward), o Chevalier (Filipe, Chevalier de Lorraine). Um fidalgo intriguista, falsodesleal e manipulador, uma das personagens que mais movimenta a trama e que introduz um toque de comicidade.



BéatriceMadame de Clemont é sem dúvida para mim, a melhor personagem de toda a série, a prima de Chevalier é uma das damas da corte, uma personagem que cresce ao longo da trama, revelando uma outra faceta. Esse dualismo fascinou-me, grande trabalho da actriz Amira Casar (Le roi Lear), que encarna uma mulher observadoramaliciosamanipuladoradominadora e sedutora.

Outra grande presença feminina é a médica Claudine, desempenhada pela actriz francesa Lizzie Brocheré (American Horror Story: Asylum), com uma profissão exclusiva aos homens, mas com habilidade e sabedoria, conseguirá impor-se perante o pai e a sociedade machista da época.


Além das intrigas, cabalas e conjurações, a corte também era conhecida pelos prazeres da carne e pela libertinagem dos seus moradores ou como os brasileiros dizem, a safadeza. A série aborda na perfeição o erotismo e a voluptuosidade da corte francesa, as cenas transbordam sensualidade e luxúria, encaixando-se perfeitamente na temática da trama. Criou polémica ao estrear na BBC, sendo criticada no parlamento inglês, pela quantidade de cenas de nudez e sexo "explícito" e apelidada pelos deputados conservadores ingleses de "um filme porno com collants e gravatas". Uma polémica que só ajudou nas audiências e no sucesso da série, que na minha opinião nem fundamento tem, séries de sucesso como o Game of Thrones também abusam do sexo e ninguém se choca.

Luís XIV conhecido pelos seus excessos e pelo seu bom gosto para mulheres, casado com a católica Maria Teresa de Espanha (Elisa Lasowski), dava as suas puladas de cerca com várias damas da corte, entre elas a cunhada Henriqueta de Inglaterra (Noémie Schmidt), a Marquesa de Montespan (Anna Brewster) ou a Madame Agathe (Suzanne Clément).


Os cenários reais impressionam e dão veracidade à produção, a opção de gravarem a série no próprio Palácio de Versailhes, utilizando tanto os exteriores como os interiores, é uma das mais-valias da série. Assim como o luxuoso guarda-roupa, uma riquíssima reprodução exacta e detalhada dos trajes da época, desde os vestidos aos adereços, como as perucas masculinas (apesar do ar efeminado haha). 

Mas nem tudo é um mar de rosas na série, destaco pela negativa o facto de ser falada em inglês, sei que é mais fácil para o sucesso internacional e para exporta-la, mas na minha opinião tira a credibilidade da trama, é estranho ver todo aquele ambiente típico francês e depois alguém abre a boca e estraga a magia. Outro detalhe que a produção descuidou-se foi no ambiente, roupas e corpos demasiados limpos para o século XVII (quem estudou história sabe bem que a época não era nada clean), mas isso é o defeito de muitas produções de época, seja na televisão ou no cinema.

Avaliação IMDb: 7.8
Avaliação do blog: 8


Paulo Faria

You Might Also Like

4 comentários

  1. Adorei a primeira temporada (passou na RTP 1), aguardo ansiosamente pela segunda

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Quando passou na RTP 1 não tive a oportunidade de ver, mas este mês a série entrou no catalogo da Netflix pt :) Obrigado pela visita, Maria :)

      Eliminar
  2. Já me aconselharam algumas vezes a ver esta série e não lhe pouparam elogios. A tua review só veio a confirmar que preciso de adicioná-la ao meu catálogo televisivo! Além de achar a época e cenários/guarda-roupa interessantes, as intrigas são o que mais me chama à atenção :)

    Ricardo, The Ghostly Walker.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. O que não falta na série são intrigas :) Obrigado pela visita, Ricardo :)

      Eliminar