Oscars 2017

março 01, 2017


Jimmy Kimmel apresentou mais uma edição dos Oscars, uma cerimónia demasiado previsível em algumas categorias com discursos pouco emotivos e marcada por um final insólito. Com uma abertura diferente e animada, um espectacular travelling, do exterior para interior do Dolby Theatre, ao som de "Can't Stop the Felling!" de Justin Timberlake (uma das nomeadas a melhor canção original). sem o glamour de outros tempos, mas com uma plateia divertida de pé dançando (aqui). 

Jimmy foi seguro na apresentação, com algum teor político nas suas piadas, mas sem grandes exageros, uns tweets mais umas alfinetadas ao Trump aqui e ali (aqui). O melhor momento foi a entrada surpreendente de um grupo de turistas (aqui), claramente um momento à la Jimmy Kimmel, o casal negro rendeu momentos hilariantes. A interacção e a picardia com o actor Matt Damon, deram alguma descontracção à gala. Só achei o momento Rei leão desnecessário e um pouco infeliz. 


Mas vamos ao que interessa, ou seja, os premiados da noite. Começo pelas mulheres, depois de 3 nomeações, finalmente a GRANDE Viola Davis ganhou como Melhor Actriz Secundária (embora fosse a protagonista), pelo filme Fences. Era a favorita e a justa vencedora, confesso que sou fã desde o Doubt e com a série How to Get Away with Murder (ABC), o meu fascínio pela actriz quadruplicou. O melhor discuro de vitória da noite, poético e emociante (aqui). Tanto a Naomie Harris (Moonlight) como a Nicole Kidman (Lion) merecem os melhores elogios, com actuações sublimes. 

Muitos vão discordar comigo, mas é apenas a minha opinião, eu gosto muito do trabalho da Emma Stone, tem uma grande interpretação em La La Land, não há dúvidas, mas não considero-a superior ao desempenho de Isabelle Huppert (Elle) ou da Natalie Portman (Jackie). Era previsível a vitória de Stone, mas eu ainda tinha um pouco de esperança de ver reconhecido o trabalho de um monstro do cinema europeu. Outra coisa que chateou-me nestes dias, foram comentários críticos em relação ao facto da Meryl Streep, estar entre as nomeadas. Basta assistir Florence Foster Jenkins, para comprovar o quanto é justa esta nomeação e nunca é demais louvar esta "sobrevalorizada" actriz.

               

Mahershala Ali sagrou-se um dos grandes vencedores da noite, ganhando como Melhor Actor Secundário pelo filme Moonlight,  coincidência ou não, um muçulmano foi o primeiro premiado da noite a subir ao palco. Mas isso, não diminui em nada a grande performance do actor, mesmo com o pouco tempo em cena, brilhou numa personagem marcante. Uma categoria difícil com grandes desempenhos como Jeff Bridges em Hell of High Water e Michael Shannon em Nocturnal Animals (um filme injustamente esquecido pela Academia).

Mas a injustiça da noite, foi a entrega do oscar de Melhor Actor ao mediano Casey Affleck, pelo filme Manchester by the Sea. Uma actuação apática e monótona, numa filme que passaria despercebido se não fosse nomeado. O justo vencedor seria Denzel Washington (Fences), mas tanto o Ryan Gosling (La La Land) como Viggo Mortensen (Captain Fantastic) mereciam-no, já o Andrew Garfield, apesar do bom desempenho, deveria ter sido nomeado pelo Silence.

                   

Moonlight foi o grande vencedor da noite, como Melhor Filme, de baixo orçamento, sem grandes estrelas num elenco negro, representando as minorias e retratando a homossexualidade e o bullying, com as drogas e marginalização como pano de fundo. Um murro no estômago e um abrir de olhos, para muitos americanos e não só. Era o meu preferido, um filme que prendeu-me desde o primeiro minuto até o último, revoltou-me e emocionou-me, um misto de sensações, algo que não senti com nenhum dos outros nomeados. O La La Land era o favorito, um filme deslumbrante visualmente com um dos melhores casais dos últimos tempos e uma maravilhosa banda sonora, contudo para mim não é o melhor, mas sim um dos melhores do ano. A lista de nomeados era excelente, com filmes para todos os gostos, como Hell or High Water, FencesArrival ou Hidden Figures (foi lindo quando a verdadeira Katherine Johnson subiu ao palco).

Agora a polémica da noite (aqui), ou seja, um dos maiores fails de sempre e logo na categoria principal da cerimónia, bem que o Warren Beatty não queria anunciar, porque percebeu o engano e passou a batata quente à colega, Faye Dunaway que toda contente anunciou o La La Land (haha). Um erro acontece e errar é humano, não sou daqueles que está horrorizado com este engano, pelo contrário foi o melhor que aconteceu nestes Oscars, uma gala aborrecida e chata por vezes, será lembrada daqui a 50 anos ou mais, por este momento. E não foi a única falha da noite, no in memorian, no lugar da foto da designer de figurino, Janet Patterson, colocaram a foto da amiga e produtora, Jan Chapman, que por sinal está viva.


Os momentos musicais da noite, tirando o da abertura, foram tão boring e nada criativos. Apesar da excelente voz do John Legend, a performance do medley de La La Land, com as canções nomeadas, "City of Stars" e "Audition" (aqui), foi tão insosso e sem a magia do filme. Poderia ter sido a melhor actuação da noite, foi pena.

Guardei o melhor para o fim, os memes da noite (haha) que explodiram nas redes sociais ao longo da cerimónia, como as reacções ao anuncio fail (aqui), o momento foca amestrada do Zoomarine, da Nicole Kidman (aqui), a fomeca da Taraji P. Henson (aqui), a timidez da Merly Streep (aqui), o olhar carinhoso do Ryan Gosling ao ouvir a Emma Stone (aqui), a Chrissy Teigen dormindo (aqui) ou o plágio da tocha olímpica (aqui).


O que acharam dos Oscars 2017? Concordam com vencedores?

Paulo Faria

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