Victoria | A Rainha das Rainhas

março 11, 2017


Vitória, Rainha do Reino Unido e Imperatriz da Índia, subiu ao trono em 1837 com dezoito anos, tornando-se um ícone e a mulher mais poderosa do mundo no século XIX. A ascensão ao trono e os primeiros anos de reinado, são o mote da série Victoria (trailer, aqui) da ITV (Downton Abbey ou Broadchurch). Uma série britânica de oito episódios, produzida por Daisy Goodwin (The Apprentice UK), com a segunda temporada e um episódio de Natal garantidos, com estreia prevista para este ano.
  
Jenna Coleman (Doctor Who) dá vida a Vitória, uma jovem bela, teimosa e ingénua, mas senhora e dona do seu nariz, contornando todos os obstáculos dos bastidores da política inglesa, impondo-se como a soberana do Império. A pureza e inocência de Vitória nos primeiros anos de reinado, é um dos pontos altos da personagem, todos nós estamos habituados a uma figura altiva e arrogante desta rainha em outras produções do género. Mas atrás daquela jovem baixinha, esguia e com um ar virginal, esconde-se uma mulher forte, determinada, frontal e ousada nas suas decisões. 


A jovem rainha viveu uma infância e adolescência reclusa em Kensington, com uma educação rígida da mãe, a Duquesa de Kent (Catherine Flemming), uma mulher dominada pelo ambicioso Sir John Conroy (Paul Rhys). Com a morte do tio, o rei Guilherme IV, e com a sua subida ao trono, Vitória finalmente liberta-se da tirania da mãe e de Conroy,  A relação com a mãe desgasta-se ao longo dos tempos, é notório na série, a péssima relação entre ambas, a monarca não consegue sentir confiança e segurança na sua progenitora, apesar das tentativas de reaproximação.


Vitória busca na Baronesa Lehzen (Daniela Holtz), uma conselheira e amiga, algo que encontra na sua dama de companhia e não na mãe. Uma relação genuína e afectuosa, que humaniza a soberana, aproximando-a dos comuns mortais, dando-lhe as inseguranças que qualquer jovem teria no século XIX, como nas descobertas amorosas. Com toques de humor nas conversas informais das duas, é na austera baronesa alemã, que Vitória confessa a sua intimidade.


Logo no início do seu reinado, Vitória enamora-se pelo seu primeiro-ministro, Lord Melbourne, interpretado por Rufus Sewell (The Man in the High Castle), um homem liberal e idealista. Tornou-se um dos grandes mentores de Vitória, moldando a personalidade da jovem soberana, ajudando-a a enfrentar os seus medos e inseguranças, convertendo-se no seu braço direito.


Mas o seu grande e verdadeiro amor, será o seu futuro marido, o Príncipe Alberto, representado na perfeição, pelo actor inglês Tom Hughes (The Game ou Silk). O casal Vitória e Alberto, será imortalizado com uma das grandes paixões do século XIX, retratada em livros, séries ou filmes, ao longo dos tempos. A aposta neste amor, é um dos principais trunfos da série, conseguindo envolver os telespectadores neste romance de contos de fadas. A união de um príncipe visionário e sonhador com uma rainha pragmática e teimosa, mas com o maior elo de ligação existente, o amor. Com Alberto, a série segue por outros caminhos, abordando a revolução industrial ou a abolição da escravatura, retratando o lado idealista e utópico do príncipe.


Com ares de Romeu e Julieta, um outro romance destaca-se no final da série, o amor impossível do Príncipe Ernesto (David Oakes), irmão de Alberto com a Duquesa de Sutherland (Margaret Clunie). Uma das damas da corte vitoriana, uma mulher casada pela qual o príncipe alemão apaixona-se, numa das suas idas à Inglaterra.


A criadagem é um dos núcleos que mais gosto, dão um ar de Downton Abbey à série, encabeçados pelo trapaceiro Penge (Adrian Schiller), um mordomo oportunista e astuto, que lidera a manutenção do palácio. Destacam-se ainda a criada pessoal da rainha, Mrs. Jenkins (Eve Myles) ou a criada Skerrett (Nell Hudson) que viverá um romance com o cozinheiro real, Francatelli (Ferdinand Kingsley). Esta ala mostrará o lado menos glamouroso do século XIX, como as más condições de vida e a falta de higiene do povo ou as doenças que assombraram Londres naquele século.


Uma série povoada de intrigas palacianas, em torno do direito ao trono inglês ou pela regência do mesmo, lideradas pelo tio da jovem monarca, Duque de Cumberland (Peter Firth) ou pelo Partido Conservador. Quer por intrigas internacionais, da parte do seu tio materno, o Rei Leopoldo da Bélgica (Alex Jennings), que influenciou uma ligação entre as casas reais de Hanôver e de Saxe-Coburgo-Gota, com o casamento do seu sobrinho Alberto com Vitória.

Com uma brilhante narrativa e com diálogos únicos, a série destaca-se pelos cenários naturais e belas paisagens inglesas, com os palácios de Kensington e Buckingham, o Castelo de Windsor ou Beverley Minster como pano de fundo. Com décors luxuosamente decorados e realistas, que impressionam pelo tamanho e pela iluminação natural perfeita, algo que só os ingleses sabem fazer. Um guarda-roupa rico que traduz todo o esplendor da época, reproduzindo fielmente os trajes vitorianos. Victoria, uma série a não perder, recomendada a todos os amantes de romances históricos e biográficos, com o selo de qualidade da ITV.


Gostam de romances históricos? Já viram Victoria?


Avaliação IMDb: 8.3
Avaliação do blog: 8

Paulo Faria

You Might Also Like

2 comentários

  1. Adoro completamente a história da realeza inglesa e ando completamente vicíada na série Netflix , The Crown(fala sobre a vida de Elizabeth II desde o dia do seu casamento até à atualidade)
    Boa sorte com o seu blog;)
    https://healthyblond.blogspot.pt/

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Eu adoro The Crown, já fiz uma review aqui no blog e na minha opinião, foi a melhor série de 2016. Obrigado pela visita, Teresinha :)

      Eliminar