Globo | Novo Mundo

abril 17, 2017


Hoje estreia na SIC às 19h, a nova novela do final de tarde, Novo Mundo da Globo com direcção de Vinícius Coimbra (Liberdade, Liberdade) e roteiro de Thereza Falcão e Alessandro Marson. Uma história de amor e aventura, resultando numa peculiar combinação de personagens, da realeza aos piratas, sem esquecer a cultura indígena

Inicia-se em 1817, ano em que a princesa Leopoldina da Áustria (Letícia Colin) embarca para o Brasil para casar-se com o príncipe herdeiro D. Pedro de Portugal (Caio Castro), na comitiva real encontram-se Anna Millman (Isabelle Drummond) e Joaquim Martinho (Chay Suede). Anna é professora de português da princesa e irá apaixonar-se pelo aventureiro Joaquim, um amor ameaçado pelos vilões Thomas Johnson (Gabriel Braga Nunes) e Elvira (Ingrid Guimarães). Um romance atribulado numa época crucial para o Brasil e para Portugal, retratando o processo de independência do país, de colónia portuguesa a Império.


Não acompanho uma novela já alguns anos, a última que acompanhei diariamente foi a excelente Avenida Brasil (Globo), cresci vendo as novelas brasileiras, como Pedra Sobre Pedra, Vamp, Uga Uga, O Clone, Celebridade ou A Favorita. Mas com a falta de tempo ou desinteresse pelas novelas actuais, deixei de acompanha-las em detrimento de outros formatos de entretenimento. 

Mas Novo Mundo, conquistou-me por dois motivos, em primeiro lugar tem uma produção fantástica com cenários e guarda-roupa de luxo, a cidade cenográfica é fiel à época e muito pormenorizada, recriando um Rio de Janeiro do século XVIII, quase inexistente actualmente. Em segundo lugar pela época histórica, sou fascinando por essa parte da História de Portugal, já retratada em algumas produções brasileiras, como O Quinto dos Infernos (Globo), Liberdade, Liberdade (Globo) ou Marquesa de Santos (Manchete).


Chay Suede (Babilónia) e Isabel Drummond (Cheias de Charme) interpretam os protagonistas desta aventura, Anna e Joaquim, um casal envolvente e com uma óptima química em cena. Suede é um dos actores mais elogiados e requisitados da nova geração, desde a novela Império, consegue cativar o público uma vez mais, com um personagem envolvente e empolgante que introduz na história um lado aventureiro

A Isabel Drummond brilha e encanta desde criança, para quem não sabe ou não se lembra, a actriz interpretou a bonequinha mais irreverente da televisão, a famosa Emília do Sítio do Pica-Pau Amarelo (Globo). Construiu uma Anna determinada e forte, uma personagem lutadora, culta e idealista.


Outro destaque da trama é o romance real, entre a sonhadora e ingénua Leopoldina e o mulherengo e bon vivant Pedro, quem conhece a nossa história, sabe que este casal não irá acabar bem e nem ficará conhecido pelo o amor e felicidade de ambos, mas a novela contorna esse facto e tornará este romance mais cor de rosa.  Caio Castro (Ti Ti Ti) tem o perfil e imagem perfeita para encarnar D. Pedro de Bragança, um dos mais emblemáticos e icónicos membros da realeza portuguesa, apesar do sotaque que por vezes, torna-se caricato, o actor está seguro no papel, um dos melhores da sua curta carreira.

Letícia Collin (Nada Será Como Antes) está perfeita como Leopoldina, a futura imperatriz brasileira, conseguindo transmitir toda a inocência e candura da princesa austríaca, a melhor revelação da novela. Apesar das diferenças notórias a nível físico entre a actriz e a princesa verdadeira, algo que o talento de Collin disfarça e atenua. Toda a família real portuguesa está representada na trama, o núcleo dos Bragança é um dos mais interessantes, com uma magnífica interpretação de Débora Olivieri (Mad Maria) como a Rainha Carlota Joaquina de Portugal, uma figura peculiar e mal amada da nossa história. Pela negativa destaco Leo Jaime como D. João VI de Portugal, uma interpretação apática e pouco convincente de um rei tão emblemático e caricato, com um dos piores sotaques da novela. 


Destaco a participação dos actores portugueses, Ricardo Pereira (Liberdade, Liberdade), Joana Solnado (Liberdade, Liberdade), Paulo Rocha (Fina Estampa) e Maria João Bastos (Coração d'Ouro), uma aposta recorrente da Globo nas suas novelas, realçando o talento luso além-fronteiras. No elenco ainda constam nomes como Rodrigo Simas, Guilherme Piva, Vivianne Pasmanter, Rômulo Estrela, Jonas Bloch, Caco Ciocler, Daniel Dantas, Leopoldo Pacheco, Agatha Moreira, Felipe Camargo, Sheron Menezzes, Júlia Lemmertz ou Vanessa Gerbelli, entre outros. 


A banda sonora é composta por instrumentais originais compostos por Sacha Amback (Ônibus 174), constando ainda reproduções de sonatas de Beethoven e valsas de Joseph Wilde, gravadas pela Orquestra Filarmónica de Praga nos estúdios Smecky Studios. O fado "Meu Amor Marinheiro" é o tema principal da novela, cantado pela Carminho, uma das fadistas da nova geração.

Uma novela de época, inspirada na História de dois povos irmãos, com muita aventura, intriga e amor, misturando índios, realeza e piratas à la Pirates of the Caribbean, resultando numa super-produção brasileira que retrata uma época tão rica e pouco explorada na pobre ficção portuguesa.



Gostam de novelas brasileiras? E da temática histórica?

Avaliação IMDb: 8.6
Avaliação do Blog: 8

Paulo Faria

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