Marvel | Luke Cage

abril 10, 2017


Luke Cage (trailer, aqui) é a terceira produção da parceria da Netflix com a Marvel, a série criada por Cheo Hodari Coker (Ray Donovan), é um elogio à cultura negra e à black music. O actor Mike Colter (Jessica Jones) dá vida ao super-herói afro-americano, Luke Cage/Carl Lucas, um homem preso injustamente que adquire poderes especiais numa experiência médica na prisão, depois da fuga e da separação de Jessica Jones, passa a combater o crime e as injustiças sociais do seu bairro, Harlem em Nova Iorque. 


Diferentemente da banda desenhada, aqui temos um super-herói mais humanizado, uma das mudanças notórias é no seu carácter, deixando de ser um herói de aluguer ambicioso que apenas trabalha por dinheiro. Na série a personagem move-se pela esperança de uma Harlem justa e pelo bem da sua comunidade, abandonando o herói mal-criado e com um look no mínimo peculiar. Originalmente denominado de Powerman, foi criado em 1972 por Jhon Romita e George Tuska e apareceu pela primeira vez na revista Luke Cage, Hero For Hire, em Junho do mesmo ano. Inspirado nos célebres Blaxploitation, filmes que idolatravam a cultura negra nos anos 70, Cage tornou-se num dos primeiros super-heróis afro-americanos da Marvel, participando em vários grupos, como Heroes For Hire, Avengers ou The Fantastic Four.


Uma série repleta de vilões, dos quais destaco os primos  Cornell Cottonmouth (Mahershala Ali) e Mariah Dillard (Alfre Woodard), uma dupla que domina o tráfico de droga e a lavagem de dinheiro do bairro. Mahershala Ali (House of Cards) consegue tornar o seu Cottonmouth, a melhor e mais bem construída personagem da série, conseguindo aliar na perfeição a crueldade com o seu amor pela música, o elo de ligação com o seu passado. Já Alfre Woodard (True Blood) transborda realidade, uma mulher corrompida pela ambição e poder, espelhando o quanto a política americana é podre. Saliento ainda o Diamondback (Erik LaRay Harvey) que apesar de alguma infantilidade consegue alguns bons momentos e o aprendiz de vilão Shades (Theo Rossi).


A presença feminina é muito importante ao longo desta primeira temporada, tanto Misty (Simone Missick) como Claire (Rosario Dawson), assumem um lado confidente e protector. A inspectora Misty representa a lei e acredita no sistema, que resultará num choque de opiniões ao longo da série com o herói, contrariamente a Claire que apoiará incondicionalmente Cage, acreditando na sua luta. A enfermeira, recorrente em todas as produções da parceria Marvel/Netflix, consegue ganhar destaque na saga, como o braço direito do protagonista. Temos pela primeira vez, contacto com a sua família, através da sua mãe, a Soledad interpretada por uma das divas das novelas brasileiras, Sónia Braga (a eterna Gabriela). 


Harlem é o grande protagonista da história, o típico bairro afro-americano, onde Obama viveu nos anos 80, torna-se metaforicamente uma personagem dentro da série, tudo está relacionado com o bairro, quanto a mim um dos maiores acertos da série. O espectador é convidado a sentir Harlem, pela positiva e pela negativa, figurando-se num ambiente tradicional daquela zona de Nova Iorque, como a Barbearia do Pop, um cenário chave. Todo o ambiente hostil entre a polícia e os populares, é um dos pontos fortes da trama, aludido à realidade vivida nos EUA, em que os negros são perseguidos e marginalizados, apenas pela sua cor e classe social. Esse lado social está presente sempre nas convicções e ideais do herói, a injustiça e o futuro de Harlem dá o mote à luta de Luke Cage, combatendo a corrupção, o medo, a desigualdade e o racismo (por vezes, da própria comunidade) no bairro. 


Como co-protagonista temos a rica banda sonora, do hip-hop ao soul, a música enriquece toda a série, com longas e bonitas cenas musicais, exteriorizando toda a grandiosidade da black music. Com nomes sonantes como Raphael Saadiq, D-Nice, Faith Evans, Charles Bradley, Wu-Tang Clan, Gang Starr, Jidenna, The Stylistics, Ghostface Killah, The Delfonics, Dusty Springfield, Sharon Jones ou a grande Nina Simone.

Com um ritmo lento e arrastado inicialmente (algo comum às outras produções da parceria) e pecando na eliminação de personagens importantes e marcantes na acção, apesar disso a série conseguiu alcançar o sucesso logo desde o lançamento on-line, indo abaixo os servidores da Netflix nos EUA e na Inglaterra. Com uma imagem mais amarelada (a cor predominante do super-herói na banda desenha) e menos escura, abusando da luz artificial, seja nos leds, neons da cidade ou na iluminação ambiente dos cenários, diferenciando-a das demais produções do género. A produção esmerou-se nas cenas de acção, entre rixas de gangsters, sangue, tiros e muitos murros, a série foi crescendo positivamente ao longo dos 13 episódios. 

Avaliação IMDb: 7.7
Avaliação do Blog: 8


Paulo Faria

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