Netflix | 13 Reasons Why

abril 25, 2017


13 Reasons Why criada por Brian Yorkey para a Netflix, baseada no livro de Jay Asher (The Future of Us) com o mesmo nome, um dos maiores hits literários da década, presente durante 8 anos na lista dos best-sellers do jornal The New York Times. Foca-se num dos maiores tabus actuais, o suicídio juvenil, abordando o seu impacto na família, amigos, colegas, escola e comunidade. Tudo começa quando Clay (Dylan Minnette) recebe uma caixa de sapatos da sua amiga Hannah (Katherine Langford), uma jovem que suicidou-se recentemente. Na caixa encontram-se várias cassetes, onde Hannah enumera os 13 motivos que levaram-na a acabar com a sua vida. Uma história emotiva, crua e realista que leva-nos a pensar, reflectir e questionar a sociedade actual


A adolescência é um turbilhão de sensações com as hormonas aos saltos em que a vida torna-se uma montanha russa, onde meros problemas tornam-se catástrofes elevadas ao cubo, como uma simples borbulha ou uma nega da rapariga ou rapaz mais popular da escola. Mas nem sempre podemos relativizar os dilemas da puberdade, muito menos olhá-los como problemas menores e comuns da idade do contra. A série é um murro no estômago na sociedade ocidental, a forma como aborda o bullying, a violação, a sexualidade e o suicídio na juventude é impressionante pela veracidade que transmite, sem medo de chocar com cenas dolorosas de assistir.


Um espelho fiel e cruel do ambiente vivido em qualquer escola secundária americana, onde impera o medo e a hipocrisia, onde um concelho directivo actua como fachada, relativizando os problemas dos alunos. A série aprofunda a questão até às suas entranhas, criticando cada membro da comunidade escolar, sem medo da opinião pública, desde os professores aos pais dos alunos. A luta dos pais de Hannah pela verdade, emociona mas também faz-nos questionar a real presença destes na vida da filha, como não conseguiram enxergar o seu sofrimento.  


Com um elenco jovem, onde destacam-se os protagonistas, Dylan Minnette (Lost) e Katherine Langford (Daughter) são a alma da série, uma escolha feliz da produção. Dylan encarna na perfeição o tímido Clay, identifiquei-me em muitos aspectos com a personagem, em adolescente nunca fui popular e era muito fechado (ainda sou um pouco), isolando-me no meu mundo e retraindo-me dos demais. O Clay é uma personagem tão rica e bem construída pelo actor, o espectador acompanha o conflito interior do jovem ao longo da acção, o único que pensa no sofrimento e no desespero da Hannah, mesmo com medo das consequências, luta contra todos para repor a verdade

Hannah não poderia ter melhor interprete que a carismática Katherine, a actriz brilhou em todos os momentos, cativou-nos com o seu sorriso e encantou com a sua simplicidade em cena, mesmo sabendo desde o início do trágico fim, o espectador torcia pela personagem. A empatia de Hannah é um dos pontos fortes da personagem, é angustiante imaginar o desespero daquela miúda sonhadora e ingénua. No elenco destacam-se ainda os veteranos Kate Walsh (Private Practice), Amy Hargreaves (Homeland), Brian d'Arcy James (Spotlight) ou Derek Luke (Empire) ou os jovens, Alisha Boe (Ray Donovan), Christian Navarro (Vinyl), Brandon Flynn, Justin Prentice (Preacher) ou Miles Heizer (Parenthood).  


Outro dos grandes destaques de 13 Reasons Why é a fantástica banda sonora, presente no Spotify, com grandes nomes, como Selena Gomez, Billie Eilish, Joy Division, Chromatics, Lord Huron, The Cure ou The Arm. Por falar em música, uma das produtoras da série é a Selena Gomez, confesso que não aprecio o seu trabalho como actriz, mas gosto de algumas das suas músicas, como co-produtora arrasou e deu voz a uma causa. Como curiosidade o cenário do colégio é real, as gravações decorreram na Northern California's Analy High School e por causa da temática difícil e chocante da série, a produção ousou cães nas filmagens, atenuando o clima pesado das cenas com a terapia dos amigos de quatro patas. Tornou-se a série mais popular da Netflix nas redes sociais em poucos dias, gerando mais de 3,5 milhões de tweets, aumentando o hype em torno da série.

2017 tem sido um ano de óptimas séries, ainda vamos em Abril e já estrearam pelo menos 5 grandes séries, mas nenhuma conseguiu emocionar-me e envolver-me como esta, uma série que critica e questiona, mas acima de tudo envergonha-nos e faz-nos olhar a adolescência por outro prisma. Vivemos numa sociedade egoísta e focada no eu próprio, que enterra a cabeça na terra como uma avestruz perante os problemas dos outros, perante uma tragédia mobiliza-se em torno de um altar de fotos e flores, colocando cartazes em prol da temática e pronto, está o caso resolvido. São séries como esta, que conseguem fazer o que nenhuma campanha consegue, emergindo os ecos do problema com debates, abrindo os olhos da opinião pública e estimulando a abertura do tabu para psicólogos, professores, pais e alunos.

Avaliação IMDb: 9
Avaliação do blog: 10


Já viram a série? Qual a vossa opinião?


Paulo Faria

You Might Also Like

8 comentários

  1. Toda a gente que conheço me fala desta maravilha, e eu nunca comecei a ver. Está na minha lista, só que ainda não ganhei coragem. Tenho mesmo de começar!

    Beijinhos,
    Melissa Sousa
    25 de Abril | Para sempre LIVRES

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Espero que gostes e obrigado pela visita, Melissa :)

      Eliminar
  2. Gostei muito do teu post e de tudo o que disseste. Realmente, esta é uma história incrível, que causou (e ainda está a causar) grande impacto e que, esperemos, seja um "abre-olhos" para todos nós.

    inesmartinsxx.blogspot.pt

    ResponderEliminar
  3. Fiquei bastante curiosa com a série :)
    http://retromaggie.blogspot.pt/

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Vale a pena ver :) Obrigado pela visita Magda :)

      Eliminar
  4. Ainda não vi mas mal posso esperar por ver, acho que vou gostar muito dessa série!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Tenho a certeza que sim :) obrigado pela visita :)

      Eliminar