SIC | Globos de Ouro 2017

maio 25, 2017



No domingo decorreu mais uma gala dos Globos de Ouro, uma noite de glamour, brilho e elegância, que premiou os melhores de 2016 no teatro, cinema, desporto, moda e na música. Organizada pela revista Caras e pela SIC, num ano ano especial para a primeira estação privada portuguesa, que comemora os seus 25 anos. Uma cerimónia apresentada pelo estreante João Manzarra com o humor sarcástico de Luís Franco-Bastos, em directo de umas salas de espectáculo mais bonitas do país, o Coliseu dos Recreios.

Com uma abertura (aquicopy paste dos Golden Globes 2017, a organização poderia ser mais criativa e apostar na inovação, mas já é comum a opção de recriar algumas coisas de cerimónias internacionais, mas apesar de algumas vozes desafinadas, até ficou engraçado ver as caras SIC, como Sara MatosJúlia PinheiroJoão Paulo RodriguesLuciana Abreu ou José Fidalgo em modo La La Land. Rematando com a grande interpretação dos HMB e da Carminho com a canção O Amor É Assim (aqui), a vencedora do globo de melhor música. 

    
Ana Padrão, vencedora do globo de Melhor Actriz de Cinema e Nuno Lopes, vencedor do globo de Melhor Actor de Cinema.

No Cinema, os vencedores foram Ana Padrão como melhor actriz em Jogo de Damas (trailer, aqui) de Patrícia Cerqueira, Nuno Lopes como melhor actor em Posto Avançado de Progresso (trailer, aqui) de Hugo Vieira da Silva e Cartas da Guerra (trailer, aqui) de Ivo M. Ferreira como melhor filme. Apesar de concordar com os vencedores, senti falta de alguns nomes nos nomeados, como Margarida Vila-Nova que arrasou em Cartas da Guerra ou o Paul Hamy no O Ornitólogo e o Nuno Lopes deveria ter ganho pelo São Jorge, uma interpretação brilhante do actor. Aliás o filme do Marco Martins, o óptimo São Jorge, deveria estar nomeado a melhor filme, bem como Refrigerantes e Canções de Amor de Luís Gavão Teles. Na minha opinião falta a categoria de melhor realizador, algo que acontece em todas as premiações internacionais.

    
Isabel Abreu, vencedora do globo de Melhor Actriz de Teatro João Perry, vencedor do globo de Melhor Actor de Teatro.

Na categoria de Teatro, não posso opinar sobre as peças ou actuações, porque não vi nenhum dos espectáculos, como vivo na Madeira o acesso à maioria das peças é escasso e limitado, mas com a parceria do Teatro D. Maria II com o Teatro Baltazar Dias (Funchal), as coisas estão a melhorar. Este ano passaram pelo Funchal excelentes peças e numa delas tive o prazer de assistir à maravilhosa interpretação da Isabel Abreu na tragédia Ifigénia, vencedora do globo de melhor actriz pela peça Um Diário de Preces. João Perry ganhou como melhor actor pela peça O Pai e a Música consagrou-se a melhor peça do ano, com encenação de Luís Miguel Cintra. Igualmente faz falta o globo de melhor encenador.

Beatriz Frazão, vencedora do globo de Revelação do Ano. 

Tenho pena da extinção da categoria de televisão, sei que existe rivalidades entre os canais pela falta de transparência nos vencedores, mas num país em que a televisão ainda é um dos principais meios de cultura para muitas pessoas e a única companhia diária, é essencial premiar os profissionais da área, independentemente dos canais. Ainda assim o globo de Revelação do Ano foi para um produto televisivo, para a pequena Beatriz Frazão, da novela Amor Maior (SIC), que interpreta a Daniela, irmã mais nova da protagonista. Não posso opinar em relação ao talento da actriz, porque nunca vi a novela, mas gostei de ver uma criança ganhar o globo e do apoio dos colegas emocionados.

    
Fernando Santos, vencedor do globo de Melhor Treinador  e Telma Monteiro, vencedora do globo de Melhor Desportista Feminino.

A grande figura da noite é do Desporto, só poderia ser o nosso seleccionador nacional Fernando Santos, subiu nada menos que três vezes ao palco, a primeira representando o Cristiano Ronaldo que ganhou como Melhor Desportista Masculino, numa categoria injusta para os restantes nomeados. Na segunda como vencedor de melhor treinador, confesso que também torcia pelo Rui Vitória, treinador do meu Benfica e do tetra, mas sem dúvida que o mérito de Fernando Santos como campeão europeu fala mais alto. Mas o melhor estava guardado para o fim, o globo de mérito e excelência, entregue a um homem que sempre acreditou na vitória, que lutou pelas suas escolhas que muitos criticavam, mas acima de tudo um homem com coragem e ambição de vencer, sem medos e pressões, esse homem só poderia ser o Fernando Santos.  Como melhor desportista feminino a benfiquista Telma Monteiro levou a melhor, depois da sua medalha olímpica no Judo. Só faltou uma nomeação para o Éder no Futebol e para o Nelson Évora no Atletismo. 

    
Maria Clara, vencedora do globo de Melhor Modelo Feminino e Luís Carvalho, vencedor do globo de Melhor Estilista.

Na Moda houve muitas críticas por a Sara Sampaio não ganhar como melhor modelo feminino, confesso que também torcia por ela, afinal é a única top model portuguesa e que tão bem representa o nome de Portugal lá fora. Mas a Maria Clara merece-o de igual forma, é uma das grandes promessas nas passarelles nacionais e tem brilhado internacionalmente, desfilando para a Gucci, Valentino ou Dolce & Gabbana, sendo elogiada pela revista Vogue. O Francisco Henriques ganhou como melhor modelo masculino e o Luís Carvalho como melhor estilista (a categoria deveria chamar-se designer de moda) fico feliz por ver um jovem talento reconhecido, um nome que irá dar cartas internacionalmente, tenho a certeza. 

Por fim a Música, a fadista Carminho foi a grande vencedora da noite com dois globos, o de melhor de melhor intérprete individual e o de melhor música, com a canção O Amor é Assim, um dueto com os HMB. Apesar de adorar esta música, não era a minha preferida para ganhar, eu estava torcendo pela Do You No Wrong do Richie Campbell.  Faltou uma nomeação para o Diogo Piçarra, mas concordo com todos nomeados. Os Capitão Fausto foram eleitos melhor banda, eu gostava mais dos Dead Combo super elogiados lá fora, mas aqui quase ninguém os conhece, é uma pena. Os Amor Electro deveriam estar nomeados, lançaram duas grandes músicas em 2016, Juntos Somos Mais Fortes e Sei, mas arrasaram em palco na gala, com O Meu Lugar (aqui).

Carminho, vencedora do globo de Melhor Intérprete Individual  vencedora do globo de Melhor Música.

Um dos momentos da noite foi sem dúvida, o iluminado discurso do jornalista Rodrigo Guedes de Carvalho, do qual não sou fã, mas tiro-lhe o chapéu pela demonstração de apoio à sua amiga Bárbara Guimarães. O jornalista ali defendeu não só uma amiga, mas sim todas as mulheres vítimas de violência doméstica, deu voz a esta luta que infelizmente afecta todas as classes sociais, um mal escondido pela vergonha numa sociedade machista e hipócrita. De mãos dadas, num gesto genuíno de amizadecarinho e de protecção, será uma das imagens que irei guardar para sempre na minha memória desta cerimónia. Só tenho pena de não ver a plateia do Coliseu de pé a aplaudir a coragem de uma mulher que dá a cara e luta por justiça, é uma pena infelizmente.


Aliás um dos pontos fracos desta gala, foi mesmo a plateia que pouco manifestou-se, com reacções gélidas, emocionaram-se ao ver os que já partiram, mas não dignaram-se a levantarem-se para um último aplauso, nomes como Camilo de OliveiraNicolau BreynerFrancisco Nicholson ou João Lobo Antunes mereciam uma ovação de pé. Nem com o genial Luís Franco-Bastos, a plateia demonstrou reciprocidade, apesar de algumas gargalhas tímidas e de algumas caras amuadas com o humor ácido do humorista. Achei-o melhor o ano passado, este ano esteve mais contido e menos à vontade com o público, estava à espera de mais picardia e alfinetadas, mas adorei o dab com o boss Balsemão. A apresentação do Manzarra foi boa com alguns momentos inspirados como o corte do cabelo, mas com algumas piadas óbvias e repetitivas, mas sem dúvida uma apresentação diferente do habitual. Adorei a Rita Blanco como sempre irreverente e fora da caixa, fugindo do normal neste tipo de cerimónia e o João Paulo Sousa que conseguiu dar um ar da sua graça nas entregas dos globos. O "fora Temer" do Thiago Lacerda também foi um bom momento, aliás esta foi talvez a gala dos globos com mais apelo político e social de sempre, em muitos discursos esteve presente uma onda feminista, que só os mais atentos aperceberam-se.

Queria só deixar umas palavras para todos aqueles que criticam este evento e classificam-no como uma "festa do croquete" ou uma "feira de vaidades". Em primeiro lugar, é uma cerimónia que premeia o que melhor se faz em Portugal em diversas categorias, dando visibilidade aos nomeados, por exemplo filmes como Cinzento e Negro de Luís Filipe Rocha ou O Ornitólogo de João Pedro Rodrigues, passariam despercebidos pelo grande público, apesar de elogiados lá fora. Ao serem nomeados, aguçam a curiosidade do público, ajudando e estimulando o moribundo cinema português. Em segundo lugar, num país em que a arte é considerada menor e sem utilidade, que durante alguns anos nem Ministério da Cultura teve e que companhias de teatro têm de fechar por falta de apoios, é importante coroar os heróis e heroínas que lutam pela cultura portuguesa, um trabalho inglório, é certo. Por último, mas não menos importante é uma montra da moda portuguesa, uma das maiores indústrias nacionais, dou-vos o exemplo do calçado, que alavanca a economia do país, levando o nome de Portugal além fronteiras.



O que acharam dos Globos de Ouro? Viram? 

Paulo Faria

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