Cinema | Lars And The Real Girl

junho 16, 2017


Os filmes e as séries funcionam para mim como uma fuga da realidade, abstendo-me dos pensamentos e preocupações do dia-a-dia, pelo menos durante aquelas horas não penso nos problemas. Desde Maio atravesso uma má fase a nível profissional e pessoal, o meu escape tem sido a Netflix e o N Play durante as noites de insónia, e foi numa dessas madrugadas que encontrei o brilhante Lars And The Real Girl

Um filme de Craig Gillespie (Million Dollar Arm) e roteiro de Nancy Oliver (Six Feet Under), protagonizado por um inspirado Ryan Gosling (Drive)  e uma boneca, sim leram bem. Lars (Ryan Gosling) é um homem solitário que vive isolado do mundo, habitando na garagem do irmão mais velho, Gun (Paul Schneider) e da sua cunhada, Karin (Emily Mortimer). Um dia o tímido Lars, apresenta à família a sua namorada Bianca, só que existe um pequeno pormenor, a rapariga não é real, é uma boneca sexual comprada online


Ryan Gosling comprova uma vez mais o seu talento, encarnado na perfeição o introvertido Lars, deixando para trás a imagem de menino bonito de Hollywood, interpretando um homem sem vaidades e com um corpo normal, sem um six pack à mostra. Desde o Half Nelson de 2006 que o Gosling chamou-me a atenção, mas foi com o Drive de 2011 (um dos meus filmes de acção preferidos) que fiquei fã do actor, mas confesso que admirei-me com a genialidade e singularidade da interpretação do actor neste filme. Em cada olhar e expressão de Ryan conseguimos sentir o amor da personagem pela boneca, são poucos os actores que conseguem transmitir tamanha verdade ao espectador.


Com um elenco pequeno, Emily Mortimer (Hugo) consegue destacar-se com a sua Karin, a cunhada de Lars, a única pessoa que consegue alguma aproximação do protagonista e acredita numa vida melhor para o cunhado, batalhando pela normalidade daquela família. Outra actriz em evidência é Patrícia Clarkson (Pieces of April), interpretando a Drª Dagmar, a psicóloga de Lars, um dos seus apoios. Paul Schneider (Water for Elephants) consegue alguns bons momentos como irmão de Lars, mas não tem relevo suficiente durante toda a trama, o filme nesse quesito peca, esperava uma maior interacção entre os irmãos. 


Engana-se quem pensa que trata-se de uma comédia romântica, este filme é um puro drama sobre um distúrbio psicológico e da união de uma comunidade de uma pequena vila para ajudar e proteger um membro querido, auxiliando-o e cooperando naquela ilusão. Algo raro nos dias de hoje, uma inspiração para muitos que ignoram o próximo, se cada um ajudar, mesmo com coisas mínimas, por vezes basta um gesto, para o mundo se tornar um lugar melhor. O roteiro é brilhante nesse sentido, o mais normal seria ridicularizar e debochar da situação, mas todos querem o bem de Lars e apoiam-no, essa generosidade colectiva é essência do filme, um acto humano e altruísta.  



Avaliação IMDb: 7.4
Avaliação do Blog: 8


Já viram este filme? O que acharam?

Paulo Faria

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