Porquê?

junho 19, 2017


Desde sábado o nosso país é outra vez assolado pelo fogo, só que este ano a tragédia tomou proporções maiores e avassaladoras, essencialmente pelo número de vítimas mortais, algo nunca antes visto em Portugal. É desolador ver as imagens na televisão e nem consigo imaginar o desespero daquelas pessoas dentro daquele inferno de chamas. 

Ainda nem fez um ano, mas aqui no Funchal vivemos uma situação parecida, quando o fogo desceu pelas escarpas da serra até ao centro do Funchal, algo nunca antes acontecido. Vivo perto do centro, cerca de 20 minutos a pé, mas felizmente não vivi de perto o drama, na minha zona não aconteceu nada. Sinto-me um sortudo, desde que nasci houve três grandes tragédias na Madeira, duas enxurradas (1993 e 2010) e os incêndios de 2016, todas com vítimas mortais e grandes perdas materiais, mas em nenhuma delas fui afectado e nem familiares. 

Mas olhando estas imagens, recordo-me o susto que apanhei quando olhei para a minha janela e não vi a baía do Funchal como normalmente, apenas uma enorme nuvem de fumo, acompanhada de um calor abrasador vindo de um sol avermelhado, dos céus choviam cinzas e até pedaços de papel e tecido, voavam pelo meu quintal. O barulho das sirenes dos bombeiros era ensurdecedor, as notícias eram as piores possíveis, relatos de ruas inteiras a arder, senti um sentimento ambíguo de impotência e acima de tudo de muito medo.

Com o verão o medo e o pavor dos incêndios renasce, ganhando força com esta tragédia de Pedrogão, revolta-me ver um país tão lindo sendo devastado pelo fogo, são enormes as perdas materiais e imateriais, mas sobretudo são vidas ceifadas pelo fogo. Temo também pelo património natural, somos um país verde e rico vegetalmente, não podemos destruir as nossas florestas, é importante uma melhor educação florestal e ambiental. São nestas alturas que questiono todo o que acredito ao ver os rostos das vítimas, sobretudo ao ver crianças que nunca irão crescer ou famílias felizes que infelizmente nunca mais irão sorrir. O que leva-me a interroga o porquê de todos os anos revivermos as mesmas situações, o porquê de uma  política de prevenção tão fraca e escassa, o porquê de não haver um ordenamento florestal correcto e outras muitas questões.

Porquê?

Ajudem as vítimas dos incêndios de Pedrogão, basta ligar para o 760 100 100, uma linha solidária da SIC. São doados 0,60 € por cada chamada, não é muito, mas o suficiente para ajudar o próximo. Resta-me só deixar um enorme abraço solidário e muita força a todas as vítimas e a todos os que sofrem com esta tragédia. 

Paulo Faria

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