8 Filmes 8 Clássicos | Who's Afraid of Virginia Woolf?

julho 07, 2017


Who's Afraid of Virginia Woolf? foi o clássico escolhido para o segundo post de 8 Filmes 8 Clássicos, um drama de 1966 com Elizabeth Taylor (BUtterfield 8) e Richard Burton (Equus) como protagonistas. Um roteiro de Ernest Lehman (West Side Story), inspirado na peça homónima de Edward Albee de 1962, vencedora do Tony Award para Melhor Peça (os Oscars do Teatro) e direcção de Mike Nichols (The Graduate).


George (Richard Burton) e Martha (Elizabeth Taylor), formam um casal cinquentão em plena crise conjugal, num final de noite recebem em casa um jovem casal, Nick (George Segal) e Honey (Sandy Dennis). Uma noite que ficará na memória dos quatro, entre conversas, copos e muito sarcasmo, surgem as revelações e as confissões, aos poucos o ambiente torna-se hostil, agressivo e provocador. Uma aula de roteiro, expondo o quanto a rotina e os segredos do passado podem corroer e destruir uma relação, com diálogos perturbadores de tão verdadeiros, por vezes deprimentes, testemunhando a degradação humana.


Elizabeth Taylor eternizou-se pela sua Cleópatra (Cleopatra de 1963), a meu ver injustamente, a dona do olhar mais famoso de Hollywood brilhou como Rainha do Nilo, mas hipnotizou o público com a sua Martha. Uma mulher que esconde a sua fragilidade na postura altiva e arrogante, de uma típica americana rica e mimada, que esconde a vulnerabilidade da sua alma, através da ironia e deboche. Soando e roçando a loucura, com olhares insanos, dando azo aos delírios e desvarios, provocados pela bebida e pelo total estado de alienação em que vive mergulhada. Taylor escarna na perfeição cada cena do filme, é magistral cada olhar, gesto ou palavra que sai da sua boca, é sem dúvida uma das maiores interpretações de sempre da sétima arte. 


Richard Burton é um dos grandes injustiçados pela Academia, com 7 nomeações, nunca levou a estatueta dourada para casa e o seu George, não foi excepção. Um professor universitário, dominado pelo fracasso como marido, assume em grande parte do filme uma atitude sádica e perversa com a esposa, por vezes cruel nas palavras e na forma como as emprega. Frustrado pelos olhares reprovadores do sogro e pelo estatuto social da mulher, Burton representa de forma irrepreensível toda a mágoa e ressentimento da personagem. Destaque ainda para Sandy Dennis (The Out of Towners) e George Segal (The Cable Guy), o casal arrastado para esta confusão.


Das 13 nomeações aos Oscars, venceu 5, entre elas de Melhor Actriz, Melhor Actriz Secundária e Melhor Fotografia a Preto e Branco, pela primeira vez na história todo o elenco do filme constava na lista dos nomeados. Como curiosidade, originalmente foram escalados para protagonistas, a diva Bette Davis e James Mason, mas o então casal na altura Taylor e Burton ganharam a disputa pelas personagens, segundo as más línguas os dois inspiraram-se no seu próprio matrimónio e nas célebres discussões de ambos. Em Portugal o filme foi censurado, por mostrar uma mulher insubmissa, alcoólica e infiel, um cocktail explosivo para o então Estado Novo. Para quem gosta de teatro, está em cena no Teatro da Trindade Inatel em Lisboa, Quem Tem Medo de Virginia Woolf?, com Diogo Infante e Alexandra Lencastre nos principais papéis. 

Um filme obrigatório para quem gosta de bons diálogos e do prazer de interpretações únicas, uma tragédia grega do século XX, onde o drama dá lugar à fragilidade humana e onde a ironia e o cinismo servem como refugio, alimentando a normalidade de um casal devastado pela vida conjugal.



Qual a vossa opinião? Já assistiram?

Avaliação IMDb: 8.1
Avaliação do Blog: 10


Paulo Faria

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6 comentários

  1. Oi Paulo! Confesso que não conhecia o filme ainda, mas fiquei bem curiosa para conferir a história.

    estante450.blogspot.com.br

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    1. Oi Cássia :) espero que gostes e obrigado pela visita :)

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  2. Eu li essa peça antes de ver esse filme e arrepiei-me com os dois. É, para mim, um daqueles clássicos incontornáveis sobretudo quando queremos entender a complexidade da natureza humana e àquilo a que chegamos quando temos objectivos em mente: sejam eles bons ou maus.

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    1. Não li a peça e nunca assisti, tenho pena. Obrigado pela visita, Ana :)

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  3. Oi Paulo! Obrigada por esse post, me lembrou que quero assistir esse filme há séculos mas sempre acabo adiando a experiência. Adoro filmes com bons diálogos e acredito que vou gostar desse.
    beijão
    www.chanelfakeblog.com

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    1. Oi, de nada Bruna e obrigado pelo feedback :) Tenho a certeza que vais gostar do filme e obrigado pela visita :)

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