Marvel | Iron Fist

julho 12, 2017


Em Março estreou Iron Fist, a quarta série da parceria entre a Netflix e a Marvel, criada pelo elogiado Scott Buck, produtor de séries premiadas como Six Feet Under ou Dexter. Baseada na banda desenhada do Punho de Ferro (Iron Fist), criado em 1974 pela dupla, Roy Thomas e Gil Kane, um guerreiro que une o misticismo às artes marciais do Kung Fu

Danny Rand (Finn Jones) em criança sofre um acidente de avião nos Himalaias, perde os pais, mas é salvo pelos monges guerreiros de K'un Lun, um reino oculto numa outra dimensão. Depois de anos de treinamento, Danny torna-se numa arma viva, o Punho de Ferro, guardião de K'un-Lun. Após 15 anos regressa a Nova York para vingar a morte dos pais, procurando reaver a sua verdadeira identidade e o legado dos Rand, encontrando obstáculos de todos os lados.


Finn Jones (Game of Thrones) interpreta um herói fraco, inseguro e imaturo, muitas vezes caricato, ao contrário de Daredevil e Jessica Jones, todo o drama de Iron Fist é tratado com uma certa suavidade que não combina nada com um dos maiores lutadores de Kung Fu da Marvel. Os fãs, eu incluído, esperavam uma série mais física, com lutas épicas e memoráveis, mas bem pelo contrário, a série explorou bem mais o lado americano da personagem, remetendo o lado místico para segundo plano. No início da série, algumas atitudes de Danny soam a menino mimado que embirra quando não tem algo, mas o maior erro da personagem é a sua ingenuidade em algumas situações,  incompatível com os seus ensinamentos orientais, faltando-lhe prudência, reflexão e equilíbrio. 


Ward (Tom Pelphrey) e Joy Meachum (Jessica Stroup) são o elo de ligação de Danny com o passado, amigos de infância e actuais directores das indústrias Rand. Tom Pelphrey (Banshee) dá vida à personagem mais complexa da trama, apesar de um início irregular de Ward, ele cresce ao longo da história, navegando por águas turvas que irão moldar a sua personalidade ambígua, tornando-se num dos pontos positivos desta produção. Ao contrário, Jessica Stroup (90210) é em certos momentos da série dispensável, traduzindo-se numa personagem que acrescenta pouco à série, a sua dubilidade em relação ao Danny é o único ponto forte de Joy, conferindo uma certa confusão sobre o verdadeiro carácter dela.  


E como por trás de um grande super-herói há sempre uma grande mulher, neste caso duas, Colleen Wing (Jessica Henwick) e Claire Temple (Rosário Dawson), sem contar com a Joy em alguns momentos, assumem o posto de aliadasconselheiras e "amigas" do herói. Rosário Dawson (Luke Cage, review aqui) é a única personagem presente em todas as parecerias Marvel/Netflix, mais uma vez brilhou e destacou-se numa trama instável, dando um novo fulgor à série desde a sua aparição. Jessica Henwick (Game of Thrones) não empolga como Colleen, apesar de razoável no papel, na minha opinião falta algo na personagem para criar uma ligação com o público, mas sobressai nas cenas de acção, bem melhor que o protagonista. 


A produção peca num dos pilares de uma boa série de super-heróis, os vilões, falta um vilão à altura, como Wilson Fisk (Daredevil), Killgrave (Jessica Jones) ou Cornell Cottonmouth (Luke Cage), aqui temos a The Hand, um grupo de mercenários japoneses. Apesar da crueldade e impiedade dos ninjas assassinos, não temos alguém físico para odiar ou adorar (haha) e depois da aparição da organização na segunda temporada de Daredevil, perdeu o impacto por já não ser uma novidade para o telespectador.  A óptima Madame Gao (Wai Ching Ho) e Harold Meachum (David Wenham) assumem então o posto de vilões secundários, apesar das boas interpretações o roteiro nunca assenta num vilão, deixando-o desenvolver a sua história, tornando a trama caótica e desconexa.


Se eu tivesse de definir a primeira temporada de Iron Fist numa só palavra, claramente seria confusa, uma colcha de retalhos tecida numa anarquia total, incoerente com a verdadeira essência da personagem da banda desenhada. Frustrando os fãs, errando redondamente na personagem principal e na omissão de K'un Lun, esperava ansiosamente  por um episódio focado na cidade perdida e nada, é a mesma coisa que ver um filme do Thor sem mostrar Asgard, é inadmissível.

Com lutas medianas ao nível de Arrow, nitidamente coreografadas e com efeitos visuais aquém do esperado, seguramente esta é a pior série da parceria da Marvel/Netflix, uma dupla que nos habituou a obras-primas como a primeira temporada de Daredevil ou Jessica Jones, mas perdeu a mão nesta produção.



Avaliação IMDb: 7.1
Avaliação do Blog: 6

Paulo Faria

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4 comentários

  1. Oi Paulo! Confesso que quando vi o trailer do seriado fiquei super empolgada, mas conforme fui vendo as críticas acabei desistindo de assistir, não esperava um erro assim da Netflix.

    estante450.blogspot.com.br

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    1. Oi, também gostei do trailer e as minhas expectativas eram altas, sou fã dos quadradinhos. Foi pena tantos erros nesta produção, que tinha tudo para dar certo :) Obrigado pela visita, Cássia :)

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  2. Adorei sua crítica e a achei bem verdadeira.
    Eu ainda não assisti, porém pretendo. Meu namorado teve uma opinião bem parecida com a sua. Disse que achou confusa e é que é bem para os fãs mesmo. Para quem não conhece o universo pode se perder um pouco.

    Espero poder ver em breve rs
    Estou MUITO atrasada nas séries
    Beijos

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    1. Obrigado Clayci :) também estou atrasado em algumas séries, são muitas séries para ver rs. Depois pode dar a sua opinião sobre Iron Fist :)

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