HBO | Big Little Lies

julho 02, 2017



Em 6 meses de blog, ainda não tinha escrito nada sobre uma série da HBO, parece impossível mas é verdade, e não existe melhor escolha que esta, falo claro de Big Little Lies. É inegável o quanto a HBO mudou a indústria das séries americanas, existe um antes e depois no mundo televisivo, os dedos das mãos não chegam para enumerar as melhores séries do canal, como Game of Thrones, The Sopranos, Veep, True Blood, Band of Brothers, Oz, Roma, The Night Of ou a minha preferida Six Feet Under

A HBO é quase como um Rei Midas, tudo o que produz vira ouro, e mais uma vez provou-o com Big Little Lies, uma minissérie de 7 episódios que estreou logo no início do ano, protagonizada por Nicole Kidman (Top of the Lake), Reese Witherspoon (Wild) e Shailene Woodley (The Secret Life of the American Teenager). Criada por David E. Kelley (The Crazy Ones) e realização de Jean-Marc Vallée (Dallas Buyers Club), a produção é inspirada no bestseller com o mesmo nome da escritora australiana, Liane Moriarty (The Husband's Secret). A minissérie encontra-se disponível no N Play, uma aplicação de streaming da NOS.



Monterey (Califórnia) é um lugar pitoresco à beira-mar, com uma comunidade pacífica e calma, até o dia que uma tragédia irá abalar a pacata cidade, esse é o mote deste thriller alucinante. A trama gira em torno de 3 mulheres com diferentes personalidades, mas unidas por uma amizade genuína, com a entrada dos filhos na escola primária, os problemas surgem e o companheirismo de ambas irá fortalecer e intensificar a amizade do trio. Violência doméstica, bullying, traição e abuso sexual, são alguns dos temas fortes deste thriller policial com uma alma feminina e uma boa dose de suspense.


Celeste (Nicole Kidman) e Perry Wright (Alexander Skarsgard) são o coração da série, aparentemente um casal perfeito digno de capa de revista, mas como diz o povo "não há bela sem senão", dentro de quatro paredes a perfeição dá lugar à violência. Poucas vezes a violência doméstica foi retratada de uma forma tão dura, real e física, aliás tudo neste casal é físico e carnal, confundindo o espectador por vezes. A agressividade e brutalidade de Perry assume contornos sexuais, é ambígua toda aquela tensão sexual do casal, fazendo-nos questionar o real prazer de Celeste. Sei que muitos embirram com a Nicole Kidman, seja pela beleza plastificada ou pelo ar de snob, mas ninguém pode negar o seu talento magistral enquanto actriz, a prova disso é a soberba interpretação nesta série. 

As cenas nas consultas de terapia de casal são o ponto alto da série, Kidman brilha em cada olhar, gesto e fala, transmite-nos na perfeição cada palavra do guião daquela mulher psicologicamente frágil e confusa. Outra grande interpretação é de Robin Weigert (American Horror Story) como Dr. Amanda, o porto seguro e a grande conselheira de Celeste, uma óptima contracena com Kidman, com diálogos sublimes. Apesar dos homens nesta série serem meramente secundários, podemos afirmar que Alexander Skarsgard (True Blood) é o único que assume o protagonismo, interpretando de forma irrepreensível o seu Perry, mostrando que não é apenas mas uma cara laroca e um six pack em Hollywood. 


Do trio protagonista, Jane Chapman (Shailene Woodley) é mais misteriosa e enigmática, escondendo um passado, uma das grandes incógnitas de toda a trama. Mas curiosamente não foi a personagem que chamou-me mais a atenção, apesar da boa performance de Woodley, a eterna Hazel de The Fault in Our Stars, a personagem pareceu-me um pouco insossa, faltou-lhe o carisma das outras duas personagens principais. Percebo que seja uma personagem amargurada com o passado, que carrega consigo o peso e as consequências de uma noite, mas o guião anula muitas vezes a Jane em relação a Celeste e Madeline. Sem spoilers, ressalto o quanto esteve maravilhosa na cena da revelação no último episódio, demonstrando todo o seu talento apenas com um olhar, é excepcional a cena


Apesar de um Óscar e uma nomeação no currículo, sempre achei Reese Witherspoon (Walk the Line) uma actriz de um papel só, a típica perua loura (como dizem os brasileiros) como em Legally Blonde, mas rendi-me à sua Madeline Mackensie. A actriz conseguiu imprimir um lado humano à sua personagem e fugir do estereótipo de típica mulher rica da alta sociedade, apesar de introduzir um lado cómico, carrega consigo alguns dramas familiares. Adoro o alto astral de Madeline, é uma personagem solar, animada, teimosa e acima de tudo uma mulher de convicções, sem medo de ir à luta por uma causa em que acredita.


Além dos nomes referidos, destaco ainda o elenco infantil, Laura Dern, Zoe Kravitz e Adam Scott. Outro destaque é a referência ao musical da Broadway, Avenue Q, uma espécie de Rua Sésamo para crescidos. A banda sonora é um dos acertos desta produção, começando pela música do genérico na voz de Michael Kiwanuka ("Cold Little Heart"), ao longo da trama podemos ainda ouvir nomes como Charles Bradley, Leon Bridges, Kinny, Alabama Snakes, Irma Thomas ou Conor O'Brien. A realização é outros dos destaques, captando os momentos fortes na perfeição com uma imagem tremida e desfocada em algumas cenas e uma excelente e pormenorizada edição

A importância que o mar assume na trama, quase como uma personagem omnipresente em toda a trajectória de série é para mim o melhor desta série, conseguimos sentir a ligação de todas as histórias com o mar, transformando-se no elo de ligação de toda a narrativa.

Nota IMDb: 8.7
Nota do blog: 10



Já viram Big Little Lies? Gostam deste tipo de minissérie?

Paulo Faria

You Might Also Like

2 comentários

  1. Também já vi e gostei bastante (mas tb ainda não falei dela no blogue:p)
    Excelentes interpretações e muito viciante.
    Catarina

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Viciante é mesmo a palavra certa :) Obrigado pela visita, Catarina :)

      Eliminar