Cinema | Que Horas Ela Volta?

agosto 02, 2017


Que Horas Ela Volta? é um filme com direcção e roteiro de Anna Muylaert (É Proibido Fumar), produzido em parceria pela África Filmes Globo Filmes,  venceu o Berlin International Film Festival e foi aclamado pela crítica internacional como um dos melhores filmes de 2015. Um drama social centrado em Val (Regina Casé), uma empregada doméstica que trocou Pernambuco  por São Paulo, em busca de uma vida melhor, deixando a sua filha Jéssica (Camila Márdila). Treze anos depois, Val trabalha para uma família de classe alta, num emprego estável e seguro, quando recebe a notícia que a sua filha vai prestar vestibular em São Paulo. Indo viver para a casa dos seus patrões, conjugando numa relação difícil entre mãe e filha, causando problemas por causa da sua personalidade forte, que não aceita as imposições dos patrões da mãe.


Não é um filme para todos os gostos (saliento isso), é monótono e com uma narrativa bem morna, mas vale a pena ver pela sublime interpretação de Regina Casé (Eu Tu Eles), não tenho a mínima dúvida em afirmar que é o papel da sua vida, encarnando de forma genial e única uma personagem tão rica e bem escrita como a Val. É aparente a entrega total da actriz em cada cena, ela transpira verdade ao espectador, ali vemos uma empregada doméstica e não uma actriz imitando-a, um belo trabalho de caracterização e de interiorização da personagem. É interessante a relação maternal e de cumplicidade com o filho dos patrões, o Fabinho (Michel Joelsas), em contraste com a relação distante e impessoal com a própria filha. 



Outro ponto forte do filme é a crítica social, presente ao longo da trama, expondo a nu a dura realidade das empregadas domésticas no Brasil, realçando as desigualdades sociais bem presente na actual sociedade brasileira. É nítido o olhar depreciativo em todo o filme, julgando os patrões e influenciado a opinião pública a uma reflexão, questionando as condições de trabalho das empregadas domésticas. São várias as cenas de abuso e de exploração laboral retratadas no filme, a certa altura o espectador interroga-se sobre a verdadeira noção de empregada, ou devo dizer escrava?! 


Destaco ainda a Camila Márdila (O Outro Lado do Paraíso), Michel Joelsas (O Ano Em Que Meus Pais Saíram de Férias) e Karine Teles (Riscado) pela positiva, mas o filme peca pela trama arrastada e repetitiva que ajuda a enfatizar o quotidiano laboral de Val, mas torna-o maçador.  Um filme voltado para a classe média que cresceu nos últimos anos no Brasil, focando-se num grupo esquecido na ficção cinematográfica, antes remetido às comédias e aos papeis secundários. Um drama profundo e sociológico com pitadas de comédia que questiona as diferenças sociais e a artificialidade da relação entre patrão/empregada, resultando num upgrade do cinema brasileiro que nos últimos tem ganho destaque internacional.



Já viram? Gostam de cinema brasileiro? 

Avaliação IMDb: 7.8
Avaliação do blog: 7

Paulo Faria

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8 comentários

  1. Oi Paulo! Quero muito ver esse filme, lembro que ele gerou muita polêmica quando foi lançado. De fato é um assunto delicado para debater e os patrões não parecem dispostos a mudar suas atitudes perante seus empregados.

    www.estante450.blogspot.com.br

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    1. Oi Cássia :) se gostas do tema, vais gostar do filme. Obrigado pela visita :)

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  2. Cara, eu sou louca pra assistir esse filme! Gosto muito da discussão que ele traz, sabe? E obrigada por dizer que ele é bem arrastado, assim quando eu for assistir eu já vou preparada pra isso haha
    Um beijão,
    Gabs | likegabs.blogspot.com ❥

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    1. Oi Gabriela :) a minha motivação para ver o filme foi precisamente o lado social e a sua polémica, nisso o filme é muito bom. Obrigado pela visita :) Bjnhs

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  3. Oi Paulo, tudo bem? Eu ainda quero muito ver esse filme, acho que mesmo com uma narrativa morna o tema é tão interessante que parece valer a pena!

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

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    1. Oi :) sim é muito interessante e faz-nos reflectir. Obrigado pela visita :) Bjnhs

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  4. Oi Paulo! Esse filme é muito bom, está no meu Top 10 de filmes nacionais. Concordo com tudo o que tu disse, exceto no ritmo arrastado e maçante, quando o assisti não o achei assim. Mas questão de ponto de vista, né? Confesso que até gosto de um ritmo mais lento, principalmente num roteiro bem dramático.
    Beijo, Bruna S. ♥
    Chanel Fake Blog

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    1. Eu até gosto de filmes com ritmo lento, mas como sei que a maioria não gosta, aviso antes ahah Obrigado pela visita, Bruna :)

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